O Ano da subida virou o Ano da permanência

Este foi um ano diferente , foi um ano frustrado, um  ano onde a realidade  acabou não correspondendo com as expectativas . Um ano não tão belo, com não tantas vitórias, e  nem conquista.

Não teve estádio cheio, não teve gritos ecoando  pelos quatro cantos da Liberdade e nem a esperança de algo maior. Este ano o futebol não brilhou,  não vingou, não decolou. Teve percalços no caminho, teve tempestade, turbulências, erro de rota  que fizeram com que o avião alvirrubro tivesse que voltar ao local de origem, e retornar o voo.

No futebol, assim como  na vida, se cometem erros. Pensa-se de uma forma, planeja, projeta os prós e contras e tenta fazer tudo pra acertar,  para chegar ao êxito, porém, nem sempre   tudo sai como o  planejado e o certo se transforma em duvidoso.

Não é nada premeditado,  os erros até são calculados, mas nunca  numa projeção  real. Não se  age   pensando no pior, mas as vezes, o pior acontece. Algumas atitudes acabam sendo precipitadas, o que parecia positivo no decorrer do caminho acaba  se negativando, e as consequências acabam acontecendo.

O time não liga, as peças não encaixam, o trabalho não tem tanta qualidade, o modelo de jogo não  é implantado,  o desânimo chega, o time se esmorece e os resultados não acontecem. Não é  premeditado, não é de caso pensando, não era planejado assim, não era esperado isso, mas aconteceu, não deu certo. O atalho,  o caminho mais rápido não funcionou.

O brilho, não brilhou. O que era bom no papel não deu certo dentro  de campo.  O defensor não defendia como era pra defender , o ataque não atacou como era  para atacar e o meio campo não criou como tinha que criar. Não houve um equilíbrio por muitas vezes.

Teve tantas rotas não planejadas que o avião quase caiu. Alguns passageiros foram desistindo no meio do caminho, foram ficando fracos. O Voo foi salvo por um novo piloto que teve a difícil missão de resgatar  os que ainda estavam em condições, dar um novo gás, deixar pelo caminho os desacreditados, buscar novos passageiros, reorganizar o plano de voo, e ao menos,  retornar  no local de partida em segurança.  E assim se fez, da maneira que deu.

Não  teve gritos de glória pelo feito, não teve apreensão do público que assistia a tudo isso, bem pelo contrário, deve mágoa, tristeza e até raiva de muitos, que só conheciam o início e o fim  e não o meio do caminho.

Este ano, a Baixada foi mesmo mais melancólica. Os gritos de gol foram mais baixos, se viu muitos vãos pelas arquibancadas. O “Vamo Subir Inter” se calou por um instante. O ano  de subir, se tornou o ano de permanecer.

Não, não  adianta chorar pelo leite derramado, e  ainda, infelizmente ( ou felizmente ) não se  pode mudar o passado. O  que aconteceu, aconteceu, pronto. Que os erros sirvam de ensinamentos,  nunca de  desistência. Não se desiste de um objetivo, de um sonho.  Nada é fácil nessa  vida, e no futebol, tampouco. Não deu, perdeu, bora lá, ergue mais uma vez a cabeça, recomeça, faz diferente até acertar. Até a vitória, até o gol, até alcançar o objetivo. O que não pode é desacreditar. Se o coração pulsa mais forte, vale a pena. Se o grito de gol  ficou engasgado nesse ano, guarda para o ano que vem, prepara ele ainda mais pois  quando ele se soltar, ele vai ecoar mais alto.

O sentimento de  perda  dói, o dever não cumprido dói, mas com o tempo  esses sentimentos vão passando, e em silêncio, calmamente, a esperança vai fazendo seu trabalho,  passo por passo, e o ânimo vai surgindo, o acreditar-se vai  se chegando e fazendo morada.

Haverá novos voos, novas rotas  e novas chances de  concluir o caminho, é só uma questão de tempo, E como dizia Mário Quintana : “ Se as coisas são inatingíveis…ora! Não é motivo para não querê-las… Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das Estrelas”.

 

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